quinta-feira, 3 de julho de 2014

Assim Assim

Assim sem mais nem menos o meu mundo ia ruindo e de vez. Não que eu, não o ame mas o cansaço que já tinha tomado conta de mim falou mais alto.

Sempre fui criticada por não pedir ajuda e sempre disse que quando precisa-se o faria mas quando fiz, o meu marido decidiu trabalhar ainda mais o que levou a que eu entrasse em rotura. Ele não reconhece que tem um problema, que é workaholic, esquece-se que está a trabalhar e deixa passar as horas de sair do trabalho (tenho de estar sempre a ligar-lhe), em casa agarra-se ao computador e eu fico sozinha e ele acaba por se esquecer que entre outras coisas tem trabalhos domésticos para fazer.

Tantas vezes avisei e conversei e gritei e discuti que naquele dia a nossa relação ficou por um fio. Estou cansada de o dividir com o trabalho, de ouvir dizer que tenho razão mas depois repetir o mesmo erro e se for preciso na mesma semana.

Pelo meu filho estou disposta a tudo e se é para estar sozinha prefiro que seja cada um no seu lugar, já tive tempo e oportunidade para pensar e repensar tantas vezes no assunto, tantas foram as oportunidades que ele me deu que acabei por ter tudo preparado para definitivamente sair de casa com o meu filho. Ele não quer e eu também não mas eu não quero mais viver assim, estou farta de chorar e esta vai ser a secunda oportunidade que lhe vou dar desde que o menino nasceu. Dizem que estamos a atravessar a fase difícil dos 7 anos e que é ainda pior com um bebé...

Quando rebento sou uma besta, digo tudo o que sinto doa a quem doer, não quero saber, só quero ser feliz e se isso implicar a 2 em vez de a 3 quero fazê-lo.

O meu ponto de cansaço atingiu um extremo tão grande que eu já estava cansada de estar cansada. Não conseguia raciocinar, parava a meio caminho porque não me lembrava do que tinha estado a fazer, para onde ia, o que ia fazer. Até me esquecia que tinha acabado de escrever o que precisava fazer e quando me lembrava não sabia onde estava o post it (que podia estar à minha frente mas eu não o via).

Deixei de dormir em condições, o que agravou tudo. Sonhava coisas e lembrava-as todas, dormia a pensar em pormenores, coisas simples que tinha de fazer e enquanto não fizesse não descansava, quando o despertador tocava tinha a sensação que nem me tinha deitado. Pedi-lhe ajuda porque estava cansada demais para conseguir fazer alguma coisa e fiquei sozinha.

Acabei por não conseguir fazer 2 coisas ao mesmo tempo como tomar conta do Diogo e fazer-lhe as refeições. Tudo era um esforço demasiado grande mesmo não dando o Diogo trabalho porque 80% das vezes ele entretém-se sozinho mas ter de olhar para ele com um olho e ter o outro noutro local era demasiado para o que a minha cabeça conseguia fazer.

Expliquei, tentei fazer-me entender várias vezes e apesar de tudo e de dizer que me percebia e que me ia ajudar ele deixou-me ficar mal pondo em causa o meu filho e isso não admito de ninguém, já basta uma "madrinha" que não lhe liga absolutamente nenhuma, não vou ter um pai assim. 

A bronca rebentou quando lhe disse que precisava que ele estivesse em casa o mais tardar ás 18h porque eu não tinha nada para o menino comer, chegou a casa ás 19.30, quando o meu filho come ás 19h, desta vez a desculpa foi o trânsito mas se ele tivesse feito o que lhe competia ás 17h tinha saído do trabalho mas não, alguém ou alguma coisa está sempre primeiro. Houve uma grande discussão mas para nada porque 3 dias depois voltou a acontecer exactamente a mesma coisa, só que desta vez a culpa não tinha sido do trânsito porque ele estava ao pé de casa mas a desculpa foi que se tinha distraído com as horas e por isso chegou a casa ás 18.30 e o menino sem comer. Mas quem é que distraí por sistema a trabalhar, com a agravante de ter uma mulher "doente" em casa, com um bebé e que lhe pede ajuda???

Foi a confusão na minha casa e sinceramente não sei se as coisas vão mudar. Por enquanto vou ficar em casa a ver o que acontece porque finalmente ele, apesar de não reconhecer que tem um problema está disposto a fazer terapia de casal para salvar o casamento mas a verdade é que não sei. São muitos anos a chamar-lhe a atenção e vícios que ele tem que não mudaram com a paternidade. 

Se quero ficar? Se tivesse esperança diria que sim mas sem esperança vou deixar andar, talvez as coisas mudem mas se não mudarem já tenho tudo pronto para, em qualquer dia ou hora, sair tranquilamente porque o problema nem era sair mas sim a ideia do fim que magoa muito. Ele deu-me espaços e oportunidades para pensar nas coisas tantas foram as conversas e promessas de mudanças. Aqui não se põe a questão de eu o amar ou não mas sim a questão do que eu e amo e do que é melhor para o meu filho.

Entretanto a pediatra o Diogo sugeriu-me outra forma de abordar o problema do cansaço, que era em vez de pensar que eu estava esgotada e por isso não dormia, pensar que o não dormir me deixava esgotada e consultar uma terapeuta do sono.

Fui comprar Valdispiert noite mas a verdade é que aquilo só começou a fazer efeito, quando antes de tomar o comprimido, eu bebo uma cerveja, um vinho do Porto. Agora vou de férias e as coisas vão certamente acalmar depois logo se vê...

Espero que mudem para sempre e definitivamente porque estou farta destes altos e baixos na minha vida e não os aguento mais. Aqui não se põe a questão do Amor mas só Amor não basta.