quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Resumo de Um Parto - Rim Dilatado

Finalmente arranjei alguma coragem e que a coragem que arranjei para escrever este texto passe de  grávida em grávida e que todas as que tenham filhos com rins dilatados (bacinetes) possam preparar-se porque as coisas podem não ser tão simples e lineares como dizem. 

Peçam uma 2º e uma 3º opinião e aconteça o que acontecer esperem no corredor para ver o vosso filho passar - ele vale a pena.


Dia 4 de Junho de 2013 foi após uma ecografia no particular fui internada. A história começa assim:
Na semana anterior, na ecografia do Hospital São Francisco Xavier fui informada que teria que de fazer outra ecografia porque devido ao problema do rim dilatado do meu filho parecia que eu estava a ficar com pouco liquido amniótico, mas teria de fazer a eco no particular porque e atenção: não havia nenhum médico disponível para tal porque ou estavam de ferias ou iam para um congresso. 
Perguntei:
- Então posso vir fazer ás urgências?
- Não porque além das máquinas não serem tão boas os médicos de lá não têm essa especialidade e portanto não saberão dar-lhe um diagnóstico exacto.

Sem pensar aceitei de imediato, graças a Deus a minha condição monetária permitia-me isso e o importante era o meu filho, mas em casa pensei e fui ao meu Centro de Saúde para falar com o meu médico para ele me passar uma credencial. A Sra. da recepção disse que ele estava de férias e que ali não passavam cedências de exames pedidas por outros médicos mas como eu insisti, mandei 2 berros e exigi falar com a responsável do Centro lá fui atendida.  
Comecei logo por levar um raspanete como se fosse uma criança de 2 anos porque ela não tinha nada que me passar uma credencial, a responsabilidade era do hospital e eles é que tinham de resolver e acrescentou:
- Não tenho nada que o fazer mas vou-lhe passar a credencial e isto vai-me estragar os objectivos.

No dia 4 lá fui eu fazer a ecografia e de facto tinha pouco líquido amniótico mas e o mais importante e é por isso que escrevo este artigo foi a informação que no final da gravidez me deu esta radiologista, sem especialidade em obstetrícia e que nunca me foi dado apesar de eu estar a ser acompanhada por uma obstetra, um médico de família, uma médica da consulta de Alto Risco,uma obstetra das ecografias e até dada altura por uma endócrinologista:
- A sra sabe que o seu filho tem um rim dilatado?
- Sei!
- E sabe que este nível de dilatação pode fazer com que o seu filho tenha de ser operado mal acabe de nascer?
- Não. Aquilo que sei é que ele poderá ter de ser operado mas nunca me explicaram quando porque me disseram que á nascença o rim pode dar um “pulo” voltar ao normal e/ou eventualmente ele ter de só medicado.
- Não acredito com este nível de dilatação que não é de agora mas… Vou-lhe fazer um desenho exactamente do que se passa.
E assim fez, explicou tudo e acrescentou para eu me preparar porque poderia ter de ficar sem o menino mal ele nascesse caso os médicos achassem que ele necessitava de operação. Poderia não acontecer mas para eu ter isso em mente. 

Nada do que me tinha sido explicado pelos médicos apesar das minhas 3000 perguntas cada vez que ia á obstetra ou fazer a ecografia. Então não é bem um rim dilatado: o bacinete tem um “tubinho” que expele líquido para a uretra e esse tubo está bloqueado, sendo assim, como não expele normalmente urina acaba por acumula-la e inchar fazendo inchar o rim. Como não expeliu urina não produziu líquido amniótico suficiente e inchou.

Quando saí desta ecografia fui ter com a minha obstetra ás urgência do Hospital São Francisco Xavier para lhe mostrar a ecografia. Primeiro fiquei logo enervada porque tinha de entrar numa consulta de obstetrícia sem o meu marido, coisa que até ali ainda não tinha acontecido mas também nunca tinha ás urgências ter com a médica, depois ela diz-me que vou ficar internada.

A chorar peço para chamar o meu marido, ela deixou mas uma estúpida de uma médica que lá estava mandou-o sair passados 5 minutos. Isto é uma violência para quem está para ser internada, descobrir que se calhar vou ficar sem o bebé á nascença e poderei ter de fazer a cesariana já no dia seguinte, caso haja vagas (sim porque agora quando o autocarro está cheio tu és a filha da mãe que ficas á espera para reduzir custos ao Estado que só faz uma cesariana por dia, para fazer mais tem de ser urgência).

Deram-me uma injecção para os pulmões do bebé e mandaram-em para o internamento. Lá marcaram-me a cesariana para o dia seguinte porque tinha havia uma desistência (uma mãe tinha tido o seu bebé antes) mas como eu lhes disse que tinha tomado a injecção pulmonar a minha cesariana foi desmarcada, tinha de tomar outra injecção ás 21 h do dia seguinte. O que é a injecção pulmonar? Segundo me explicaram  antigamente os bebés que nasciam por cesariana vinham com liquido amniótico dentro deles o que provocava infecções e engasgo, agora com esta injecção eles levam o “choque” pulmonar que deveriam de levar na expulsão de um parto normal e libertam o liquido.

Fiquei internada a matutar quando seria a minha cesariana e como seria com o rim do meu filho fiz outra eco onde se revelou que o líquido era pouco mas não escasso. Continuei internada á espera com uma equipa de enfermeiras e auxiliares fantástica. Acabei por ser vista por um médico que na sexta-feira me mandou para casa para passar o fim-de-semana e voltar na segunda ao final da tarde para ser preparada para a cesariana na terça-feira. Que nervos!!!

Como seria uma cesariana e o que aconteceria quando o meu filho nascesse? No fundo a minha cabeça pensava que iria correr tudo bem e que a dilatação não era assim tão grave.

Nunca quis pensar nisso seriamente e talvez por isso quando ele nasceu encarei tudo de forma natural mas nunca mais me vou esquecer daquele momento e ainda hoje apesar de ter aqui o meu filho, saudável e ter sido atendida por um excelente grupo de médicos desde o parto até ás pessoas que tiveram com ele nos Cuidados Intensivos do Hospital D. Estefânia, não consigo perdoar aos supostos profissionais que acompanharam a minha gravidez porque eu poderia ter sido preparada para esta situação violenta e só soube que ela poderia acontecer sem querer e se eu não tivesse sabido o que seria de mim na sala de parto?

Ninguém paga o sofrimento de uma mãe que mal acaba de ter um filho, está a ser cozida e tem de dizer a um médico que quase a gaguejar tenta explicar o problema do filho á mãe. A aflição e a forma de tornear a conversa foi tão evidente que de repente o meu instinto falou por mim e eu disse literalmente ao neonatologista e ainda hoje me oiço dizer estas palavras:
- Eu fui preparada para o pior. Sei que o pior que pode acontecer é o meu filho ter de me ser tirado á nascença e ser levado para a Estefânia por causa do rim. Faça o que for melhor para ele. O pai está na sala de espera chame-o e trate do meu filho, faça o que for melhor melhor para o meu filho, chame só o pai para o acompanhar.

O meu filho foi encostado a mim breves minutos e foi levado. Eu fui para o recobro e parece que fiz um excelente recobro mas também tive a sorte de ter tido uma excelente equipa desde que entrei na sala de parto. Quando fui para o piso das mamãs tiveram a decência de me meter num quarto com uma menina que também não tinha o filho com ela (digo isto porque sei de casos em que misturaram as mamãs com e sem filhos). A senhora que estava no quarto ao lado tinha uma menina que não parava de chorar e estava preocupada comigo, acabei por ter de a “tranquilizar”.

Eram cerca das 21h horas e a enfermeira chamou uma auxiliar para me levar na cadeira de rodas a ver o meu filho que só seria levado na manhã seguinte mas teria de ficar nos Cuidados Intensivos. Peguei no meu filho, a alegria foi tanta que nem consegui pensar que ele tinha um dóidói, ancarei tudo como uma constipação e só pensava no melhor para ele. Combinei com a enfermeira visita-lo de novo ás 8h da manhã juntamente com o pai porque ele seria levado por volta das 10h para a Estefânia para ser operado. Foi tudo combinadinho com ela, horários e tudo.

No dia seguinte ás 6h da manhã e sem dizer nada a ninguém levantei-me e fui tomar banho á gato – qual cesariana qual quê eu queria era ver o meu filho e não havia dor que me fizesse parar – as enfermeiras deram comigo ás 7h 45m (vejam só o tempo que demorei a lavar-me) junto á sala delas a pedir para alguém me levar aos CI (ficaram de boca aberta).

Quando cheguei aos CI e depois de na noite anterior ter combinado tudo com a enfermeira de serviço, a enfermeira diz-me:
- Estamos na passagem de turno, agora não pode ver o seu filho e não vai conseguir vê-lo porque os bombeiros foram chamados para o levar já. Se quiser vê-lo passar pode ficar  mas não lhe vai poder tocar.

E assim fiquei eu, no corredor, á porta dos CI á espera de ver o meu filho passar. Chorava tanto, tanto, as lágrimas caiam-me como rios dos olhos sem eu conseguir controlar, uma auxiliar foi lá dentro falar com as enfermeiras e com a condição de eu não lhe tocar trouxe-me o filho para eu poder olhar para ele um bocadinho e assim foi, depois ela teve de o levar para dentro.
Entretanto chega o meu marido e praticamente ao mesmo tempo somos informados que os bombeiros estão atrasados e deixam-nos entrar para ver o menino mas sem tocar e ali ficamos nós. Os bombeiros chegaram, levaram o meu menino e o meu marido acompanhou-os.

Quarta-feira e as horas a passar e o meu menino não era operado, estava a ficar com pensamentos negativos e desconfiada mas recebi o telefonema e depois o outro a dizem que tinha corrido tudo bem. O meu marido esteve sempre com o filho nos CI de Neonatologia da Estefânia, eu ligava para lá mas a maior parte das noticias recebias pelo meu marido. O apoio incondicional dele foi muito mais que importante foi essencial, ele estava todo o dia com o menino desde as 9h ás 21h, pelo meio vinha ver-me as hospital por breves minutos, só para me dar um beijo.

Sexta-feira e eu em pulgas para sair do hospital e ir para perto do meu filho, afinal já tinham passado 3 dias mas a minha tensão baixa está demasiado alta. Aumenta a ansiedade e o meu desespero, as enfermeiras tentam baixar-me a tensão conversando comigo mas a prespectiva de não poder sair do hospital deixa-me pior. O tempo passa e a minha tensão não baixa, chora cada vez mais e sem parar, ninguém sabe o que fazer comigo e com o meu desespero e angustia. Pelo que choro já toda a gente do corredor deve de saber. Uma enfermeira lembra-se que quando o piso abriu houve um caso parecido e pede á médica permissão para me deixar sair da parte da tarde com a promessa de eu voltar ao final da tarde.

Fui ver o meu filho, mal podia andar mas para mim eu corria. Não sei, não posso e não consigo descrever o que senti por ver e estar perto do meu filho. Pedi permissão para lhe tocar e deram-me, depois pode pegar nele ao colo. Ao final da tarde regressei ao meu hospital e preparei as minhas coisas para sair no dia seguinte.

Estou á espera que venha a médica mas parece que hoje é um médico. Oiço música budista para me centrar e acalmar alguma coisa que possa não estar calma dentro de mim mas sinto-me em, estou feliz, vou sair do hospital e vou para perto do meu filho. Adormeço.
enfermeira vem tirar-me a tensão e… está na mesma demasiado alta. O quê??? Não pode ser, eu sinto-me bem juro. Acabei de acordar e não me sinto ansiosa. Mas nada a fazer. Passam 30 minutos e vou de novo ter com elas, nada mudou… 30 minutos depois tudo continua na mesma. O tempo passa e eu começo a ficar louca porque assim não tenho autorização de saída. Ligo para o meu marido e digo-lhe que vou sair custe o que custar mas eu vou perto do meu filho, discutimos porque ele não concorda e eu choro desalmadamente. Só quero sair dali porque é que isto me está a acontecer. 

As enfermeiras estão sem saber o que fazer, toda a gente acha que eu devo de sair mas não podem autorizar, fazem o que podem e não podem, chamam o médico que está de serviço e falam com ele – entretanto já passou uma manhã comigo a chorar convulsivamente. O médico fica incrédulo porque não sabe porque é que eu não fiz análises e as enfermeiras dizem que ninguém as pediu. Faço as análises e fico á espera com a garantia que dei á enfermeira, mais uma vez:
- Quando as análises vierem eu garanto-lhe que vai estar tudo bem e que vou ter alta.
- Não diga isso porque pode acontecer alguma coisa.
- Tenho a certeza. A minha cabeça é que está a comandar o meu corpo, são os sentimentos mas a razão/matemática vai dizer que o corpo está a funcionar na perfeição. Sou eu que sem saber como estou a fazer com que a tensão suba…

Três horas depois estava fora do hospital com medicação para a tensão e junto do meu filho que só larguei quando ele teve que regressar de novo para uma segunda intervenção, já programada e para o bem dele.

Agora estamos todos em casa, a vida decorre normalmente mas muita coisa poderia ter sido evitada. Nós pais deveríamos de ter sido preparados para o que nos podia esperar, com tempo talvez reagíssemos de outra maneira e bem que ninguém prepara uma mãe ou um pai para ficar longe de um filho mas as coisas poderiam ter acontecido de uma outra maneira. 

O exemplo de como se devem tratar as pessoas e a sua sensibilidade foi dado por todos os profissionais que nos acompanharam nos Cuidados Intensivos de Neonatologia do Hospital : Estefânia porque sempre falaram connosco e nos deram a conhecer o que poderia acontecer. Toda a gente teve sempre um discurso muito real e ao mesmo tempo positivo porque não se esperava nada de grave mas o exemplo de explicar, elucidar está lá.


Alguém nos poderia ter preparado antes… mas mesmo assim sentimos-nos abençoados porque temos um filho saudável e o que vi serviu-me de lição e não posso imaginar o que sentem os pais dos bebés que têm de lá ficar meses. Esses sim são pessoas de luta, muita luta. O que chorei foi meu mas olhar para eles levava-me ainda mais ás lágrimas porque me sentia uma ingrata, chorava por nada e eles ali a lutarem todos para salvarem vidas:  As Vidas de Deus!


Actualização a 15-01-2015: 
Na altura sofri horrores, ninguém consegue imaginar o que é saber naquele minuto que vai ficar sem um filho pelo qual esperou tanto tempo mas hoje dou Graças a Deus pela equipa médica que apanhei e por todo o tratamento que o meu filho. sofri mais que muito mas foi logo, agora estou descansada e a unica preocupação que tenho é levar o o bebé ao hospital quando ele tem febre para fazer uma análise á urina (ele só teve 3x febre em 18 meses - ajuda não estar num infantário)

6 comentários:

  1. ola gostaria de saber de quanto era a dilatacao do seu nenen . estou de 28 sem, e meu nenen ja tem uma dialatacao de 15 mm . e so ouço e vejo falarem so posso é esperar eli nascer pra resolve isso .

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    1. Olá. Na ecografia do 3º trimestre (28-32 semanas) o rim esquerdo tinha um aumento de cerca de 70mm. Tem mesmo de esperar para ver o que acontece porque até no parto o rim pode voltar ao normal. Se tal não acontecer só depois do nascimento é que podem ser feitos exames para ver que tipo de medicação poderá dar-se ao bebé e sei de casos que os médicos deixaram esperar alguns dias e só depois tomam medidas porque querem ver a reacção do bebé.

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  2. Minha esposa fez a ultrason e o bebê estar com uma dilatação de 22,4.
    gostaria de saber se devo ficar despreocupado uma vez que eu me encontro muito pensativo, esse quadro pode se reverter?

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    1. O meu bebe na ecografia do 3º trimestre tinha uma dilatação de 70mm e a esperança de todos nós era que o quadro se reverte-se mas tal não aconteceu.
      Na minha opinião e não sou nem médica, nem enfermeira acho que não deve ficar despreocupado porque a realidade é que o seu filho tem uma anomalia, algo que não deveria ter. Não será caso para fazer um drama mas sim de se ir informando, fazendo perguntas e esperar até ao dia do parto para ver o que lhe dizem os médicos porque só nesse dia poderá ter alguma informação mais precisa sobre a terapêutica que deverá ser aplicada ao bebé (no caso de precisar de uma) porque até esse dia tudo pode acontecer.
      Acima de tudo tome notas, informe-se e faça perguntas aos vários profissionais de saúde sobre o que é um rim dilatado e os vários tipos de terapêutica coisa que eu não fiz porque acreditei naquela médica e depois foi um choque muito grande porque não estava preparada para ficar sem o meu filho 5 minutos após o parto.
      Como referi o rim dilatado é muito comum existem variadas terapêuticas e os médicos estão preparados para resolver o assunto sem stress nem traumas.

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  3. Olá!!! Meu bebê está 8mm de dilatação no rim esquerdo. Estou muito preocupada. Estou de 26 semanas de gestação. Meu médico disse que não era para se preocupar, que iria me passar outra ultra para fazer. Mesmo assim estou triste e com o coração na mão..
    Abraços a todos.

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    1. Eu sei o que é ter o coração na mão e o que é ter esperança que tudo passe porque essa é uma possibilidade - que o seu bebé se cure ;) Nós preocupamos-nos sempre, digam o que disserem mas não quero que se alarme, como já disse é uma doença com cura. Este meu artigo é um alerta e uma chamada de atenção.

      Sabe o que de pior me acontece agora? Além de periodicamente ter de fazer exames para saber se está tudo bem com o rim, o Diogo, quando tem febre, ao contrário dos outros bebés tem de ir ao hospital para fazer um exame á urina para saber se está com alguma infecção. Em 15 meses só teve febre 2 vezes ;)

      Pense que existem bebés que nascem saudáveis e depois estão sempre doentes, por exemplo: Tenho uma amiga que o bebé dela nasceu bem mas depois esteve muitas vezes internado com infecções urinárias (isso é grave e problemático nos bebés). Felizmente agora está bem mas ela acabou por passar tanto tempo nos hospitais e teve tantos problemas...

      Pense positivo e muita força.

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